Ecorregião do Complexo da Chapada Diamantina

Localização, Limites, Explicação dos Limites e Tamanho

Localizada na parte centro-sul do bioma, alongada no sentido N-S e em forma de "Y", seguindo o alinhamento do divisor de águas da Chapada Diamantina. É inteiramente circundada pela ecorregião da Depressão Sertaneja Meridional. Os limites são explicados principalmente pelas mudanças de relevo, altitude e tipo de solo. É a parte mais alta do bioma Caatinga.

Tamanho: 50.610 km2.

Unidades Geoambientais do ZANE

Nesta ecorregião estão presentes as unidades dos Maciços e serras altas (S2); Superfícies retrabalhadas (E4, E5, E8); Chapada Diamantina (C1, C3, C6, C8); Superfícies cársticas (J4).

Tipos de Solo, Geomorfologia, Relevo e Variação de Altitude

Esta é a ecorregião mais elevada da caatinga, quase toda com mais de 500 m de altitude. O relevo é bastante acidentado, com grandes maciços residuais, topos rochosos, encostas íngremes, vales estreitos e profundos, grandes superfícies planas de altitude e serras altas, estreitas e compridas. As altitudes variam de 200 a 1.800 m, com um pico (Pico do Barbado) de 2.033 m.

Nos maciços e serras altas os solos são em geral rasos, pedregosos e pobres, predominando os solos litólicos (rasos, pedregosos e de fertilidade baixa) e grandes afloramentos de rocha. Nos topos planos os solos são em geral profundos e muito pobres, com predominância de latossolos (profundos, bem drenados, ácidos e de fertilidade baixa).

Boa parte do leste da Chapada Diamantina é constituída por áreas que têm sofrido retrabalhamento intenso, causando um relevo bastante dissecado com vales profundos, com altitude variando de 200 a 800 m. Nestas áreas predominam os solos podzólicos (medianamente profundos, bem drenados, textura argilosa e fertilidade média) e os latossolos.

A Chapada Diamantina contém as cabeceiras de vários rios que correm para a Depressão Sertaneja Meridional.

Clima

Na parte oeste o clima vai de quente a tropical, com um gradiente crescente de precipitação das menores para as maiores altitudes. Nas áreas mais baixas a média anual fica em torno de 500 mm, enquanto ultrapassa os 1.000 mm nas partes mais altas. O período chuvoso vai de outubro a abril.

Na parte leste o clima vai de tropical a semi-árido, com período chuvoso de novembro a maio e precipitação média de 678 a 866 mm/ano.

Grandes Processos Característicos ou Influências

Gradientes de altitude (inclui os pontos mais altos do NE) que formam "ilhas" de campos rupestres separadas por vales mais baixos de caatinga - processo de isolamento que gera especiações.

Gradiente de temperaturas (apresenta as temperaturas mais baixas do semi-árido).

Grande influência de longos períodos secos, contrastando com uma pluviosidade anual acima de 1.000 mm (chegando em alguns anos a 2.000 mm - maiores índices pluviométricos do semi-árido) e formação de neblina o ano inteiro. Abriga as nascentes da maioria dos rios perenes da Depressão Sertaneja Meridional, sendo o grande divisor de águas daquela ecorregião.

Há influência da Serra do Espinhaço em elementos da flora, e a presença de cavernas é muito importante para a fauna.

Tipos de Vegetação

Mosaico que inclui caatinga com grande diversidade (abaixo de 1.000 m de altitude), cerrado, campos rupestres, e diferentes tipos de mata (da mais seca à mais úmida).

Acima de 1.000 m de altitude, onde existem mais afloramentos rochosos, predominam os campos rupestres (ligados a quartzitos); onde o solo é mais arenoso, predomina o cerrado (solo podzólico). As matas, predominantes nas encostas, são mais ligadas a granitos e gnaiss, e tornam-se mais úmidas à medida em que a altitude aumenta. As matas de caatinga são do tipo floresta estacional caducifólia, com muitas árvores espinhosas, especialmente dos gêneros Acacia e Mimosa, e abundância de Cactaceae e Bromeliaceae. Algumas espécies são marcantes na fisionomia da vegetação, como o umbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda) e o juazeiro (Zizyphus joazeiro Mart.). Porém, existe uma diversidade muito grande na flora, e muitos gêneros e espécies endêmicos.

A caatinga ocupa grande extensão da ecorregião, em altitudes de até 1.000 m, onde se entremeia com os cerrados de altitude. A caatinga também predomina para o norte, nos vales do rio de Furnas, rio de Contas e rio Paraguaçu, assim como na parte mais a oeste das serras, onde a altura cria uma barreira impedindo a passagem das chuvas.

Exemplos de Grupos Taxonômicos Típicos

Flora:

As caatingas da Chapada têm alguns gêneros endêmicos das famílias Leguminosae, Cactaceae, Sterculiaceae, Scrophulariaceae, Martyniaceae e Compositae. Os campos rupestres abrigam uma flora completamente diferente da caatinga, mas contêm muitas espécies endêmicas da Chapada.

Gêneros endêmicos: Rayleya (Sterculiaceae) - gênero com uma espécie, só de Andaraí; Mysanthus (Leguminosae) - gênero com uma espécie da parte sul da Chapada; Heteranthia (Scrophulariaceae) - gênero com uma espécie de áreas brejosas do leste da Chapada; Holoregmia (Martyniaceae) - gênero com uma espécie de Rio de Contas até Anajé.

Espécies endêmicas: Mimosa irrigua Barneby (Leguminosae), Chamaecrista eitenorum var. regana I. & B. (Leguminosae), Portulaca werdermanii Poelln. (Portulacaceae, do Morro do Chapéu e Mucugê), Melocactus glaucescens Buin. & Bred. (Cactaceae, do Morro do Chapéu), Arrojadoa bahiensis (U. Brawn & Esteves) M. P. Taylor & Eggli (Cactaceae), Pilocarpus trachylophus Holmes (Rutaceae - ocorre em MG, BA e CE).

Estado de Conservação Estimado

A área, que é muito frágil, está ameaçada pela agricultura de café nas áreas planas, pela pecuária, e principalmente por lavras (vários tipos de minério) e pedreiras.

Também é preocupante a crescente pressão do turismo de várias modalidades, além do extrativismo de espécies ornamentais (orquídeas, sempre-vivas, bromélias).

Unidades de Conservação Presentes

UC Tamanho Localização Observações
Parque Nacional da Chapada Diamantina 152.000ha Região central da BA. Não tem plano de manejo, e contém quase exclusivamente vegetação de campos rupestres.
Parque Estadual Morro do Chapéu 6.000ha Morro do Chapéu, BA  
FLONA Contendas do Sincorá 11.034ha Contendas do Sincorá e Barra da Estiva, BA Parte na ecorregião da Depressão Sertaneja Meridional.
Legenda: FLONA - Floresta Nacional

Fonte: Plantas do Nordeste