Ecorregião da Depressão Sertaneja Meridional

Localização, Limites, Explicação dos Limites e Tamanho

Ocupa a maior parte do centro e sul do bioma, limítrofe com todas as outras ecorregiões exceto a do Complexo de Campo Maior. Ao norte e noroeste encontra uma barreira de altitude (Serra dos Cariris e Complexo Ibiapaba - Araripe). A oeste faz fronteira com o início do Planalto Central, onde começa o cerrado. Ao sul e a leste encontra modificações de solo e precipitação, fazendo limite com o cerrado de Minas Gerais e a Zona da Mata da Bahia, Sergipe e Alagoas. No canto nordeste existe uma barreira de altitude com o início do Planalto da Borborema. Três ecorregiões são quase inteiramente (Raso da Catarina) ou inteiramente (Dunas do São Francisco e Complexo da Chapada Diamantina) circundadas pela Depressão Sertaneja Meridional. Durante as discussões para definir os limites das ecorregiões, foram identificadas seis áreas dentro da Depressão Sertaneja Meridional que possuem características particulares. Entretanto, estas áreas foram consideradas suficientemente semelhantes em termos de grandes processos formadores para não constituírem ecorregiões separadas como as três mencionadas acima, ou mesmo áreas com distinções particulares, pois a diferenciação entre elas é também menor do que aquela entre a Depressão Setentrional e o Seridó e a Chapada do Apodi, nela contidos.

A ecorregião compreende 373.900 km2, estando aí incluída a porção disjunta (28.639 km2) pela presença da Ecorregião do Raso da Catarina.

Unidades Geoambientais do ZANE

Nesta ecorregião estão presentes as unidades da Depressão sertaneja (F1, F2, F5, F6, F9, F10, F11, F15, F16, F17, F19, F22, F23, F24, F25, F26, F27, F29, F30); Superfícies cársticas (J1, J2, J3, J5, J6, J7, J8, J9); Chapada Diamantina (C1, C2, C4, C5, C7, C8); Maciços e serras altas (S2, S3); Maciços e serras baixas (T2, T3); Superfícies retrabalhadas (E1, E2, E5, E10, E13); Superfícies dissecadas diversas (H2, H3, H4); Grandes áreas aluviais (N1); Serrotes, inselbergs e maciços residuais (U1, U3); Chapadas intermediárias e baixas (B2, B8); Tabuleiros costeiros (L5, L6, L8); Baixada litorânea (M4); Bacias sedimentares (I11).

Tipos de Solo, Geomorfologia, Relevo e Variação de Altitude

Assim como a Setentrional, a Depressão Sertaneja Meridional apresenta a paisagem mais típica do semi-árido nordestino: extensas planícies baixas, de relevo predominante suave-ondulado, com elevações residuais disseminadas na paisagem. Esta ecorregião, entretanto, apresenta uma maior diversidade de relevo em sua metade sul, com relevo acidentado e extensos platôs no entorno da Chapada Diamantina (BA), inclusive áreas de planalto na região de Vitória da Conquista e ao sul de Maracás. Apresenta ainda grandes extensões de áreas que têm sofrido retrabalhamento intenso, principalmente na parte sudeste da ecorregião (a leste da Chapada Diamantina), com relevo dissecado e vales profundos.

Os solos são mais profundos que os da Depressão Sertaneja Setentrional, com latossolos (profundos, bem drenados, ácidos e com fertilidade natural baixa) predominando nas partes oeste e sul. Ao norte predominam solos podzólicos, regossolos e solos brunos não cálcicos, todos em geral rasos, cascalhentos ou pedregosos, e de fertilidade natural alta (exceto os podzólicos). Na região entre a Chapada Diamantina e o Raso da Catarina predominam os planossolos (rasos, mal drenados, de fertilidade média e com problemas de sais). Na porção disjunta a leste do Raso da Catarina predominam os solos litólicos (rasos, arenosos, pedregosos, de fertilidade média). As elevações residuais da depressão apresentam afloramentos de rocha ou solos litólicos. Há presença de afloramentos de calcário bambuí na parte sudoeste (Bom Jesus da Lapa, Santa Maria da Vitória, Janaúba, Iuiú) e central (Irecê, Canarana, Junco). Nas áreas retrabalhadas a leste da Chapada Diamantina predominam os solos podzólicos.

A altitude varia de 100 a 500 m, com algumas áreas de 500 a 800 m contendo picos acima de 800 m.

Clima

O clima da ecorregião é predominantemente quente e semi-árido, com dois períodos chuvosos distintos principais - de outubro a abril nas áreas de sertão (inclusive regiões cársticas) e de janeiro a junho nas áreas de agreste. A precipitação média anual varia de 500 a 800 mm, sendo que nas áreas mais altas do sul da ecorregião pode ultrapassar 1.000 mm/ano.

Grandes Processos Característicos ou Influências

Em comparação com a Depressão Sertaneja Setentrional, aqui existe uma maior regularidade da estação chuvosa (menor incidência de secas), e apresenta também uma distribuição de chuvas menos concentrada. Geralmente os solos são mais profundos, principalmente na parte oeste, constituída por latossolos. O relevo é também mais acidentado, contendo rios permanentes, que são os maiores de todo o Nordeste.

Existe uma grande freqüência de corpos d'água temporários (rios e lagoas), que propiciam que a flora e fauna sejam mais variadas e muito características.

As maiores influências sobre esta ecorregião vêm da Chapada Diamantina e do rio São Francisco.

Tipos de Vegetação

Caatinga arbustiva a arbórea, de porte mais alto que a da Depressão Setentrional. Nas áreas de afloramentos de calcário bambuí (Irecê, Bom Jesus da Lapa, Santa Maria da Vitória, Janaúba, Iuiu) predomina a caatinga arbórea, e no planalto de Vitória da Conquista (leste da Bahia) há mata de cipó. O extremo sudeste da ecorregião, bastante associado ao rio Jequitinhonha, é área de campo rupestre meio seco, com espécies de caatinga mesmo acima de 1.000 m de altitude, com pluviosidade acima de 1.000 mm/ano e menos de seis meses secos.

De uma maneira geral, a flora da Depressão Meridional é mais rica em espécies que a da Depressão Setentrional.

Exemplos de Grupos Taxonômicos Típicos

Flora:

Gêneros monoespecíficos endêmicos da Depressão Meridional: Barnebya (Malpighiaceae), Blanchetiodendron (Leguminosae), Macvaughia (Malpighiaceae), Glischrothamnus (Molluginaceae), Haptocarpus (Capparaceae), Anamaria (Scrophulariaceae), Piriadacus (Bignoniaceae), Telmatophila (Compositae) - uma espécie do oeste de PE e PI, e Neesiochloa (Gramineae) - uma espécie do oeste de PE, PI e BA.

Gênero endêmico da Depressão Meridional: Dizygostemon (Scrophulariaceae) - apresenta duas espécies do oeste de PE e PI.

Gêneros com espécies endêmicas da caatinga que ocorrem na Depressão Meridional, mas não na Depressão Setentrional (embora os gêneros não sejam endêmicos da caatinga): Poecilanthe (Leguminosae), Melanoxylon (Leguminosae), Piranhea (Euphorbiaceae).

Espécies notáveis por terem ocorrência muito restrita (local de ocorrência entre parênteses):

Estado de Conservação Estimado

O estado de conservação da ecorregião é muito variado. Em geral, a maior parte da ecorregião onde o relevo é de depressão está muito degradada, enquanto que as serras ao sul (antes de Minas Gerais) estão mais preservadas. As regiões a leste e oeste da Chapada Diamantina estão muito degradadas, principalmente por pecuária, agricultura de irrigação (ao longo do rio São Francisco) e produção de carvão.

Unidades de Conservação Presentes

UC Tamanho Localização Observações
FLONA Contendas do Sincorá 11.034ha Contendas do Sincorá e Barra da Estiva, BA Parte na ecorregião da Depressão Sertaneja Meridional.
APA Cavernas do Peruaçu 143.866ha MG no extremo SW da ecorregião. A maior parte da APA contém cerrado.
APA Municipal de Boquira 570ha Boquira, BA  
ARIE Cocorobó 7.500ha BA Criada apenas pela Resolução 005 de 05/06/84.
RPPN Reserva Ecológica Maurício Dantas 1.485ha Floresta e Betânia, PE  
RPPN Fazenda Pé da Serra 1.259ha Ibotirama, BA  
RPPN Fazenda Morrinhos 726ha Queimadas, BA Parte na ecorregião do Planalto da Borborema.
RPPN Lagoa das Campinas 1.000ha Palmas de Monte Alto, BA  
RPPN Fazenda Retiro 3.000ha Malhada, BA  
RPPN Fazenda Boa Vista 2.000ha Malhada, BA  
RPPN Fazenda Boa Vista 1.700ha Malhada, BA  
RPPN Fazenda Boa Vista 1.500ha Malhada, BA  
RPPN Fazenda Forte 1.800ha Malhada, BA  
RPPN Fazenda Forte 1.500ha

Malhada, BA

 

Legenda: FLONA - Floresta Nacional; APA - Área de Proteção Ambiental; ARIE - Área de Relevante Interesse Ecológico; RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural.

Fonte: Plantas do Nordeste