Ecorregião do Planalto da Borborema

Localização, Limites, Explicação dos Limites e Tamanho

Ecorregião mais a leste do bioma, alongada no sentido N-S em forma de arco, compreendendo partes do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. A altitude e o relevo são os fatores principais que determinam os limites da ecorregião. A parte norte do Planalto é circundada pela Depressão Sertaneja Setentrional. A leste, abaixo da Depressão Setentrional, o Planalto encontra a Zona da Mata da Paraíba, Pernambuco e Alagoas. As partes centro-oeste e sul-sudoeste fazem fronteira com a Depressão Sertaneja Meridional, exceto um pequeno trecho onde o Raso da Catarina encontra o Planalto.

A ecorregião compreende 41.940 km2.

Unidades Geoambientais do ZANE

Nesta ecorregião estão presentes as unidades do Planalto da Borborema (D1, D2, D3, D4, D5, D6, D7); Serrotes, inselbergs e maciços residuais (U2); Maciços e serras baixas (T2, T3); Chapadas altas (A6); Superfícies dissecadas diversas (H1, H3); Depressão sertaneja (F6).

Tipos de Solo, Geomorfologia, Relevo e Variação de Altitude

Maciço granítico de relevo movimentado, com solos de profundidade e fertilidade variada (mas em geral férteis), muito suscetíveis à erosão. Predominam os regossolos (medianamente profundos, fortemente drenados, ácidos e de fertilidade média) e os solos podzólicos (profundos, bem drenados, cascalhentos e de fertilidade média a alta). Nos patamares mais suaves ocorrem solos solonetz solodizados (rasos, mal drenados, ácidos e com sérios problemas de sais) e solos litólicos (rasos, argilosos, pedregosos e de fertilidade média). As elevações contém afloramentos de rocha e solos litólicos; enquanto que as áreas mais baixas e fundos de vales contêm planossolos (rasos, imperfeitamente drenados, argilosos, moderadamente ácidos, baixa fertilidade e com problemas de sais) e solos aluviais (profundos, moderadamente drenados e fertilidade média). Apresenta pouca água subterrânea, com predominância de águas salinas. A altitude varia de 150 a 650 m, com picos de 650 a 1.000 m. Esta ecorregião é recortada por rios perenes de pequena vazão (Paraíba, Capibaribe, Ipojuca, Tracunhaém, etc.), e contém enclaves de brejos de altitude (bioma Mata Atlântica).

Clima

A ecorregião é agreste, de clima seco, muito quente e semi-árido. A estação chuvosa vai de fevereiro a maio, e a precipitação média anual varia de 400 a 650 mm, podendo ser mais alta nas encostas onde se formam as matas de altitude.

Grandes Processos Característicos ou Influências

Área montanhosa com declives acentuados e relevo bastante movimentado, com presença de afloramentos rochosos de granito. A precipitação é média por conta da posição geográfica: é o anteparo para os ventos de sudeste, constituindo uma barreira para a umidade. É a Borborema que cria as áreas mais secas, que ficam em sua "sombra" (Cariris Velhos) na Depressão Sertaneja Setentrional. Destaca-se também a região do Curimataú, a noroeste do brejo paraibano, que apresenta-se mais seco, com solos rasos e pedregosos, e altitudes mais baixas que o resto do Planalto. Apresenta um grande mosaico de solos que, junto com a umidade mais alta, propicia a variedade de tipologias vegetais. A parte oeste é mais seca que a leste.

Tipos de Vegetação

Na vertente oriental até a metade do topo apresenta flora característica de área úmida, formando em alguns locais os brejos de altitude. Da metade do topo descendo pela vertente ocidental existe flora característica de áreas secas. Os tipos de vegetação vão desde caatinga arbustiva aberta a arbórea (com gradações intermediárias), a matas secas e matas úmidas. As matas úmidas (brejos de altitude) estão restritas ao topo e parte da vertente oriental. Os brejos são considerados enclaves de Mata Atlântica, e aparecem como "buracos" no mapa da ecorregião. A caatinga do Curimataú apresenta semelhanças com a caatinga do Cariri Paraibano, sendo principalmente do tipo arbustivo-arbóreo.

Exemplos de Grupos Taxonômicos Típicos

Flora:

Gênero com uma espécie endêmica: Ameroglossum (Scrophulariaceae), de áreas pedregosas em Pernambuco.

Espécie endêmica: Mimosa borboremae Harms..

Espécies típicas do Curimataú: Cereus jamacuru D.C., Pilosocereus gounellei Weber, Bromelia laciniosa Mart., Neoglaziovia variegata Mez., Caesalpinia pyramidalis Tul.

Estado de Conservação Estimado

Apresenta nível altíssimo de degradação (>90%), restando apenas pequenas ilhas esparsas de vegetação nativa. Área de agricultura e pecuária intensivas, com muitos minifúndios e atividades de extrativismo.

Unidades de Conservação Presentes

UC Tamanho Localização Observações
RPPN Sernativo 154ha Acarí, RN  
RPPN Fazenda Pedra de Água 170ha Solânea, PB  
RPPN Fazenda Morrinhos 726ha Queimadas, BA Parte na ecorregião da Depressão Sertaneja Meridional
RPPN Fazenda Várzea 390ha Araruna, PB Região do Curimataú.

Legenda: RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural.

Fonte: Plantas do Nordeste